Ministério · Tabernáculo da Fé · Teresina, PI
"Cada um de nós está escrevendo uma partícula da história." — Pastor Sebastião Machado Borges
Trajetória
Cada etapa desta história foi interpretada pelo próprio Pastor Machado como parte de um plano maior — a mão de Deus conduzindo um homem simples do interior de Minas até o coração do Nordeste.
Sebastião Machado Borges nasceu em 20 de janeiro de 1945, numa região rural próxima ao município de Monte Carmelo, em Minas Gerais. A família vivia da agricultura e das atividades típicas da vida rural daquela época. Ele mesmo costuma resumir sua origem com simplicidade: "Eu nasci na roça em Monte Carmelo, Minas Gerais."
A família era relativamente numerosa, mas nem todos os filhos sobreviveram. Em seus relatos ele menciona que sua mãe teve cinco filhos, dos quais apenas dois permaneceram vivos — realidade comum nas famílias do interior naquele período.
Ainda com cerca de um ano de idade, adoeceu gravemente. Diante da situação, sua mãe fez uma oração a Deus: se o menino sobrevivesse, seria dedicado ao serviço do Senhor. Ele se recuperou — e esse episódio passou a ser lembrado pela família como o primeiro sinal da providência divina em sua vida.
Entre as memórias da infância que mais marcaram sua vida está a história de uma de suas irmãs. Ela tinha cerca de quatorze anos — uma jovem alegre, cheia de vida.
Certa vez ela entrou correndo na casa da família, uma moradia simples do interior que ele descreve como "um barraquinho velho". Entrou na pequena sala com alegria, os cabelos voando, demonstrando aquela leveza típica da juventude. Quando a mãe a viu naquele momento, começou a chorar. A jovem percebeu que havia algo errado e perguntou o motivo. A mãe respondeu que sentia um pressentimento no coração — que talvez aquela filha não seria feliz no casamento.
A jovem reagiu com leveza, quase em tom de brincadeira, e perguntou: "E se eu morrer antes?" Aquela frase ficou gravada na memória da família. Três meses depois, a jovem faleceu. Esse acontecimento marcou profundamente a mãe de Machado — anos depois, ao lembrar da filha, ainda chorava.
Seu pai era um homem muito trabalhador e habilidoso para negócios. Negociava cereais e chegou a montar um pequeno comércio na região que prosperou bastante. Em determinado momento chegou a ter a oportunidade de comprar a fazenda onde trabalhava — uma propriedade grande, com cerca de 250 alqueires de terra, oferecida por cinquenta mil cruzeiros.
Machado relata que o dinheiro estava guardado dentro de um travesseiro:
"Ele tinha dentro do travesseiro cinquenta e quatro mil cruzeiros."
Mesmo assim, o pai decidiu não comprar. Queria se mudar para outra região em busca de novas oportunidades. Décadas depois, ao recordar esse episódio, Machado comenta que aquela mesma fazenda hoje valeria milhões de reais.
Foi justamente esse desejo de novas oportunidades que levou a família a deixar Minas Gerais. Ele recorda esse período com poucas palavras: "Nós saímos de Minas e fomos para Goiás." Foi nesse ambiente que cresceu, marcado pelo trabalho no campo, pela simplicidade e pelas dificuldades comuns às famílias rurais do interior daquela época.
O trabalho era pesado e cíclico: derrubavam uma área de mata, plantavam lavoura por alguns anos, e depois entregavam aquela terra ao fazendeiro já transformada em pasto formado. Esse era o cotidiano que sustentava muitas famílias. Foi nele que ele aprendeu, desde cedo, o valor do trabalho.
Quando tinha cerca de nove anos de idade, a família vivia na região de Estrela do Norte, em Goiás. Foi ali que ele ouviu o evangelho pela primeira vez. A data ficou gravada em sua memória com uma precisão que revela o peso daquele momento:
"No dia 19 de novembro de 1954 eu ouvi pela primeira vez falar deste livro: a Bíblia Sagrada."
Ao recordar aquele encontro com as Escrituras, ele resume com uma frase simples:
"Naquele dia eu me apaixonei por esse livro."
Segundo ele próprio, desde aquele momento começou uma caminhada espiritual que se estenderia por toda a sua vida.
Por volta do final da década de 1950 mudou-se para Goiânia, cidade que mais tarde se tornaria um dos centros importantes da Mensagem no Brasil. Foi ali que construiu sua vida profissional e formou família.
Em 1964 casou-se com Zilda Maria Borges, companheira inseparável de todas as batalhas que viriam pela frente. Décadas depois, ao recordar a caminhada do casal, ele declarou emocionado:
"Sebastião Machado Borges e Zilda Maria Borges hoje também completam 59 anos de lutas, guerras e batalhas."
Por volta de 1970 sua esposa enfrentou uma enfermidade grave. A situação parecia sem solução médica. Diante do quadro sério, oraram a Deus pedindo intervenção. Ela foi curada. Esse acontecimento marcou profundamente sua vida espiritual e foi o ponto de partida definitivo para sua conversão.
No final de 1971, a Mensagem chegou à sua vida através do ministério do Pastor Joaquim Gonçalves Silva, no Tabernáculo da Fé, na Avenida Goiás, em Goiânia. O início não foi fácil — ele mesmo descreve o processo com honestidade rara:
"Eu fiquei na mensagem porque não tinha como negá-la, mas entendê-la nada eu entendia."
Determinado a compreender, passou a dedicar horas ao estudo da Bíblia:
"Eu lia a Bíblia dia e noite."
Ele esteve presente quando chegaram ao Brasil as mensagens das Sete Eras da Igreja, juntamente com o livreto "Profeta do Século XX" — reproduzidos em pequenas vitrolas durante os cultos. Ao olhar para uma foto antiga tirada diante da igreja, ele comenta com humor:
"Aí está o Tabernáculo da Fé na Avenida Goiás. Eu estou nesse bolo aí… só não sei em que lugar eu estava naquele dia."
Durante um culto de oração que se estendia até as onze da noite, algo mudou para sempre. Enquanto orava, olhou para a lâmpada que iluminava o local — e então:
"Quando eu olhei para aquela luz algo explodiu dentro de mim."
Naquele instante compreendeu a unidade de Deus. A emoção foi intensa — ele saltou, gritou, chorou. Aquela experiência marcou definitivamente sua fé e selou o restante de sua caminhada.
Durante os anos 70, atuou como diácono assistente ao lado do Pastor Joaquim Gonçalves Silva. O ambiente espiritual do Tabernáculo era marcado por forte zelo doutrinário e evangelismo constante. Grupos de irmãos saíam para evangelizar diferentes regiões do país — Goiânia, São Paulo, Porto Velho. As condições eram extremamente difíceis:
"De Cuiabá a Porto Velho nós gastávamos dez dias de viagem."
As viagens eram feitas em comboios de caminhões, muitas vezes um puxando o outro para atravessar os trechos de lama:
"Eram uns puxando os outros… ou para frente ou para trás."
Ele carregava uma vitrola Philips para reproduzir as mensagens nos cultos — e admitia com humor que provavelmente o levavam nos grupos também pela força física que tinha. O trabalho evangelístico era realizado em feiras, portas de mercado e nas ruas.
Entre os episódios marcantes desse período, um ficou gravado com nitidez. Ele estava com o Pastor Joaquim em uma região de mata, às margens de um rio chamado Água Limpa. Eles haviam subido o rio de canoa por cerca de seis a oito quilômetros, até um ponto onde deixaram a canoa à deriva para descer novamente. Durante a espera na margem, o Pastor Joaquim iniciou uma conversa que se tornaria muito significativa:
"Irmão Bão, quando é que você vai assumir responsabilidade com ministério, com igreja?"
Machado respondeu com franqueza, sem negar o desejo, mas sem abrir mão de sua convicção:
"Se eu disser para o senhor que eu não almejo isso, eu estaria mentindo. Mas para que isso aconteça Deus tem que me chamar."
"Eu não tomaria posição nunca sem que Ele me autorizasse a fazê-lo."
O Pastor Joaquim ouviu aquela resposta e concordou: "Então está certo. Tem que ser dessa maneira." O assunto foi encerrado ali — mas voltaria mais tarde, de forma ainda mais direta.
Algum tempo depois houve uma reunião no Tabernáculo da Fé. Durante o culto, foi feito um apelo para que pessoas assumissem responsabilidades na obra. Diversos irmãos se levantaram e se ofereceram voluntariamente. Sebastião Machado Borges permaneceu sentado.
Após a reunião, ele foi para a sala atrás do púlpito aguardar o pastor. Quando o Pastor Joaquim passou por ele naquele corredor, parou e falou com firmeza, apontando o dedo em seu rosto:
"Você está brincando com Deus."
Esse episódio revelou que o Pastor Joaquim já enxergava em Machado um chamado ministerial que ele próprio ainda aguardava ver confirmado por Deus — e não tomaria por iniciativa própria.
Apesar de participar ativamente da igreja e das viagens missionárias, naquele período ele ainda tinha outro plano para sua vida. Gostava muito das regiões de terra nova sendo abertas no interior do Brasil — especialmente em Rondônia, que passava por um processo intenso de ocupação e desenvolvimento. Ele explica claramente qual era seu sonho:
"Meu sonho era ser fazendeiro."
Gostava da vida rural e imaginava construir sua vida trabalhando com terras e agricultura. No entanto, os acontecimentos que se seguiriam mudariam completamente essa direção.
No início da década de 1980, ele trabalhava como representante comercial de uma empresa. A empresa decidiu abrir uma filial em Araguaína — cidade que na época ainda fazia parte do estado de Goiás — e ele foi escolhido para assumir a gerência da nova unidade.
"No dia 19 de julho de 1981 eu saí de casa e vim para Araguaína. Já cheguei assumindo a gerência."
Naquele momento ele não imaginava que aquela mudança desencadearia uma série de acontecimentos que mais tarde interpretaria como direção divina. Permaneceu em Araguaína durante 1981, 1982 e 1983 — e foi durante as viagens de trabalho por aquela região que ocorreram alguns dos episódios mais marcantes de todo o seu testemunho.
Durante uma viagem de trabalho saindo de Carolina (MA) em direção a Balsas, ocorreu uma sequência de acontecimentos que ele sempre relata como sinais da providência. O clima era extremamente chuvoso — ele descreve que "o mundo estava derretendo em água". Ao abastecer o carro no posto, perguntou ao frentista sobre as condições da estrada. A resposta foi direta:
"Se eu fosse o senhor, não iria hoje."
Era aproximadamente cinco horas da tarde. Ele decidiu procurar um hotel para passar a noite. Mas, enquanto dirigia pela cidade, ouviu uma voz dizendo: "Siga a viagem." Parou o carro, pensou ser imaginação, continuou em direção ao hotel. Antes de chegar ao próximo quarteirão, a voz veio novamente.
"Eu não sou de ouvir voz nem de visões… mas ouvi claramente."
Dessa vez ele não discutiu. Virou o carro no meio da rua e tomou a estrada para Balsas. A viagem foi extremamente difícil — lama, água cobrindo a estrada, o farol encoberto pelas poças. Mesmo assim ele continuou, conduzindo pela fé.
Depois de várias horas dirigindo naquelas condições, chegou à cidade de Riachão já de noite, por volta das 21h30. Seguiu pela avenida principal em direção à praça onde havia um hotel. Ao se aproximar, havia dois ônibus estacionados. Enquanto passava lentamente entre eles, um cachorro saiu correndo de uma churrascaria próxima, entrou entre os dois ônibus e se deitou bem no meio da rua. Ele teve que frear o carro.
Nesse momento, um homem que estava próximo olhou para dentro do veículo — e os dois se reconheceram. Era o Pastor Wagner Marques, que estava ali com o Pastor José Alves, viajando de ônibus naquela noite. A alegria do encontro foi grande. Sem hesitar, ele disse:
"Agora vocês descem as malas do ônibus, porque nós vamos juntos."
Os dois pastores passaram para o carro. Depois de atravessar trezentos metros de estrada completamente inundada empurrando o carro, e de se perderem no cerrado no meio da madrugada, decidiram seguir o rastro de um trator na estrada de terra. Chegaram a uma casa e perguntaram onde estavam. Estavam exatamente na porta da casa do irmão Abdoral — o destino de todos.
Era por volta das duas da madrugada quando chegaram. Decidiram parar para descansar. Machado armou uma rede embaixo de uma mangueira. Antes de deitar, pegou uma lanterna e iluminou a árvore para verificar se não havia marimbondos. Quando iluminou, percebeu: havia uma grande manga madura.
Ele chamou o Pastor Wagner Marques, mostrou a fruta, e disse uma frase em tom de brincadeira que depois se tornaria famosa entre os irmãos:
"Vocês plantam a lavoura… e eu como o fruto."
Anos depois ele voltaria a mencionar essa frase, reconhecendo que aquela cena havia simbolizado o que se cumpriu literalmente: aqueles pastores estavam plantando a obra espiritual em várias regiões — e mais tarde ele participaria da colheita desse trabalho em Teresina.
A viagem continuou e, em Coroatá, ocorreu mais um episódio que ele sempre lembrava ao contar aquela jornada. Ao parar numa lanchonete em um posto de gasolina, encontrou uma senhora que tentava abrir uma garrafa sem conseguir retirar a rolha. Ele se aproximou, pediu para ajudar, retirou a rolha e devolveu. Era um gesto simples — mas a reação da senhora chamou sua atenção profundamente. Ela levantou a garrafa para o alto e disse:
"Graças a Deus que mandou o seu anjo para abrir essa garrafinha de azeite para mim."
Ao relatar esse episódio, Machado sempre faz uma observação que revela como via aquela sequência toda de acontecimentos:
"Para quem sabe ler, um pingo é letra."
No final de 1983, a empresa planejava transferir a base de operações da região. Estavam avaliando três cidades: São Luís, Bacabal e Teresina. Ele foi chamado para escolher para qual iria. Sem hesitar, respondeu:
"Para Teresina eu vou."
Essa escolha não foi apenas uma decisão profissional. Posteriormente ele passou a olhar para aquele momento como um passo que o levaria para o lugar onde seu ministério se desenvolveria. Em dezembro daquele ano, veio conhecer a cidade. No mês seguinte, trouxe toda a mudança.
Em 10 de janeiro de 1984, chegou definitivamente a Teresina com toda a mudança. O primeiro endereço foi na Rua Firmino Pires, bairro Vermelha. Havia poucos irmãos e pequenos grupos que se reuniam — em Balsas, São Raimundo das Mangabeiras, Picos e Teresina. Os Pastores Wagner Marques e José Alves, os mesmos da viagem pelo Maranhão, percorriam essas cidades visitando grupos de três ou quatro pessoas, fortalecendo a fé dos que já haviam recebido a Mensagem.
"No dia 10 de janeiro de 84 eu já estava com a mudança aqui."
Era o início do plantio espiritual que daria origem ao Tabernáculo da Fé.
Em 17 de janeiro de 1987, Sebastião Machado Borges foi oficialmente consagrado ao ministério pastoral. Esse momento marcou o início formal de seu pastorado — assumindo a responsabilidade direta pela condução da igreja e pelo cuidado espiritual dos irmãos. O chamado que ele havia aguardado chegar com a autorização de Deus, e não por iniciativa própria, estava confirmado.
Com o passar dos anos, o trabalho iniciado em Teresina começou a alcançar outras cidades. Surgiram congregações ligadas ao ministério em diversas regiões — Caxias, Floriano, Piripiri, São Gonçalo do Piauí, Nazária, Oeiras, Engenho d'Água, Vila do Incra, Arame, São Domingos e outras localidades do Maranhão, Piauí e estados vizinhos.
Com o crescimento do ministério, algumas regiões foram confiadas a pastores formados dentro da própria obra. As igrejas de Picos e região foram entregues ao Pastor Carlos Cardoso — que serviu como primeiro secretário, auxiliar e líder no evangelismo na igreja de Teresina —, filho do ministério do Pastor Machado. Já Piripiri e região foram confiadas ao Pastor Francisco Costa, também filho do ministério, que durante muitos anos exerceu os cargos de presidente dos diáconos e segundo tesoureiro na igreja de Teresina. A igreja de São Luís, por sua vez, foi confiada ao Pastor Adelino Barros, que também havia servido como auxiliar do Pastor Machado no evangelismo durante sua época em Teresina.
Foi realizado um grande evento de homenagem no Cabral Eventos, Teresina, reunindo irmãos, pastores e amigos de diversas regiões. Durante a celebração, o pastor contou novamente as histórias que marcaram sua trajetória — a viagem pelo Maranhão, o episódio da manga, os encontros providenciais.
Com 81 anos, o Pastor Sebastião Machado Borges continua à frente do Tabernáculo da Fé. Em janeiro de 2026, um culto reuniu pastores de vários estados e aproximadamente 95 conexões simultâneas de congregações — representando cerca de 400 pessoas acompanhando à distância.
"Nós cremos que vamos chegar porque o nosso condutor é fiel."
Diante da igreja que construiu ao longo de décadas, ele declarou emocionado:
"Vocês são o meu prêmio. Vocês são a razão de eu estar aqui. Vocês são a minha vida."
Sinais da Providência
Ao longo do caminho até Teresina, acontecimentos que o Pastor Machado sempre interpretou não como coincidências, mas como direção divina.
Vocês são essa lavoura.
Vocês são a minha vida.
— Pastor Sebastião Machado Borges · ao Tabernáculo da Fé
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